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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Início das aulas - 2014

foto da internet

Neste início de ano letivo tem sido grata a interação com os novos alunos nas turmas em que tenho entrado para dar aulas. A administração da escola ainda não determinou quais serão as turmas de cada professor, então estamos indo dar aulas em turmas aleatórias. Ontem fiquei surpresa com alguns depoimentos que ouvi numa turma de primeira etapa do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos (EJA) quando estávamos desenvolvendo uma atividade denominada "Que música eu sou?", em que os alunos e a professora se apresentam indicando uma música - que pode ser citada, declamada ou cantada - com a qual se identificam. Eu já havia desenvolvido essa atividade em outras turmas e o resultado é sempre surpreendente. Na turma em que estive ontem à noite algumas falas foram profundas, escancararam situações sociais que às vezes pensamos estarem distantes de nós, entretando elas estão bem ali, embaixo de nossas vistas. Foram corajosas as pessoas que expuseram suas experiências, suas inquietações, sem se preocupar com o julgamento daqueles que as ouviam. São essas lições de superação ou busca de, que me incetivam e motivam a continuar um trabalho  que requer comprometimento com o fazer pedagógico humanizado, que não seja só um simples repasse de conteúdo ou o cumprimento de uma carga horária, mas um trabalho que permita ao aluno refletir a respeito do mundo que o rodeia, tomando consciência de sua importância na construção de sua realidade e de sua história, que possibilite a ele crescer e promover o crescimento de seus pares. 
Não é possível não estar comprometido quando você encontra em sua sala de aula adultos que estiveram por cinco, dez, quinze, vinte anos ou mais afastados da escola, que resolveram voltar e estão ali, na sua frente, com brilho nos olhos e cheios de esperança de que esse é o caminho certo para a transformação. Alguns voltam principalmente por causa de seus filhos, para incentivá-los, servindo de exemplo, para ajudá-los com as tarefas escolares e para proporcionarem a eles um futuro melhor, uma vez que a conclusão do Ensino Médio possibilitará arrumar um emprego com remuneração melhor, além de abrir caminho para o Ensino Superior. 
Infelizmente meus pontos de vista andam em desacordo com os da atual direção da escola, isto de certa forma engessa minhas ações, porém sou compromissada com meu trabalho, pois tenho consciência da minha responsabilidade frente aos desafios que se apresentam. 
O Mestrado tem-me revolucionado o pensamento, as ações, pois por meio das leituras, dos debates, das trocas de experiência que tenho vivenciado no curso, estou refletindo profundamente sobre a minha prática, mudando o que não vinha fazendo direito e fundamentando o que fazia intuitivamente, acertos que agora respaldo pelos teóricos que tenho lido, encontrando respostas para minhas inquietações e buscando soluções para as que ainda não tenho resposta.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Escrevendo

Se antes do Mestrado eu demorava a postar aqui, agora está mais difícil. Tudo o que eu escrevo ultimamente são textos técnicos. O blog está em pausa, mas vez ou outra venho por aqui. Quando terminar meu curso pretendo retomar o meu diário virtual.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Seminário no Mestrado

Dia 05 apresentei, com minha equipe, o primeiro trabalho do Mestrado: Seminário sobre Coesão e Coerência. Apesar da ansiedade pré-apresentação, dei conta do recado. Que venham os outros desafios.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Mestrado

Interessante como deixamos adormecer alguns sonhos por circunstâncias que a vida nos apresenta e que urgem por serem atendidas. Quando ainda cursava o Ensino Médio (naquela época 2º grau) já desejava fazer Mestrado assim que concluísse o Curso Superior, porém, entrar na Universidade, na década de 80, era muito difícil para alguém da minha classe social, cursar Mestrado então era um sonho quase impossível, assim como cursar Francês, que eu desejava muito, mas não tinha dinheiro para pagar a Aliança Francesa, e o sonho mais impossível de todos: ir à França, esse então ficava lá no nível das nuvens. 
Naquela época o sonho mais viável que eu tinha era o de ser mãe. Sempre encarei meus sonhos como ‘planos para o futuro’, então eles ficavam ali guardadinhos esperando sua vez. Os dois primeiros que realizei aconteceram de uma ‘tacada’só: entrei na UFPa para fazer Licenciatura em Letras e me habilitei em Português e Francês. Logo em seguida realizei o maior de todos os sonhos: engravidei, e valeu muito a pena, pois tenho uma filha maravilhosa, que já casou mas não deixei ir embora, então moramos todos juntos: eu, Carol, meu marido Alberto, meu genro Antônio, que é o filho que não tive, e meu netinho lindo, o Henry, por quem sou extremamente apaixonada. Depois veio o sonho que eu achava que era impossível: fui à França para estudar - esse nem meu marido acreditava que eu pudesse realizar, mas eu sempre dizia a ele “ir à França não é um sonho, é um plano para o futuro”.
Quanto ao Mestrado, perto de concluir minha Licenciatura comecei a estudar para a seleção, mas o Alberto me fez ver que naquele período era inviável, pois a Carol era criança, trabalhávamos o dia todo e eu só tinha o final de semana para estudar, dificilmente eu conseguiria me preparar para a seleção naquela época, então deixei esse plano para depois e segui minha vida.
Fiz duas Especializações. O Mestrado sempre era adiado, até que o sonho foi adormecendo. Depois comecei a descartá-lo. Quando me perguntavam se eu não ia cursar Mestrado eu dizia que não queria mais, que daqui a pouco estaria me aposentando, então queria mesmo era curtir meu neto, jogar no computador e ler meus livros, sem compromisso.
Até que este ano alguns amigos souberam de uma seleção para um Mestrado pela UFRN/UFPa específico para Professores de Português do Ensino Fundamental, então eles me incentivaram a fazer, mas eu relutei a princípio, imagina, já havia descartado essa possibilidade, por que fazer agora? Mas por incentivo deles acabei me inscrevendo para a seleção, mesmo não acreditando muito.
Porém no momento em que estava resolvendo a prova percebi que tinha chances de ser classificada, quase tive uma tremedeira, nem sei como consegui terminar de escrever o artigo que fazia parte da avaliação. Enfim, aquele desejo que eu pensava ter deixado de lado voltou bem forte. Descobri que na realidade ele nunca tinha ido embora, apenas estava adormecido.
Agora era só esperar o resultado. Saiu hoje e eu fui APROVADA, vou cursar o Mestrado em Letras. Sei que tenho uma árdua tarefa pela frente, mas estar entre os 26 aprovados dos mais de 800 inscritos já foi um grande desafio. Agora é mergulhar nos estudos: Mestrado aí vou eu. 
Fica um aprendizado: Nunca é tarde para realizarmos nossos sonhos, temos que acreditar em nosso potencial. Engraçado que eu sempre falo isso para os meus alunos, mas estava esquecendo de aplicar em minha vida.